Morte de Delfim Netto: O Legado do Ex-Ministro da Fazenda aos 96 Anos

Morte de Delfim Netto: O Legado do Ex-Ministro da Fazenda aos 96 Anos

Postado por Davi Augusto Ativar 12 ago, 2024 Comentários (19)

O Fim de uma Era

Delfim Netto, um dos mais influentes economistas e políticos da história recente do Brasil, faleceu nesta segunda-feira, dia 12 de agosto de 2024, aos 96 anos. Sua morte marca o fim de uma era para muitos que acompanharam de perto a transformação econômica do país nas últimas décadas. Netto, ex-Ministro da Fazenda no governo do presidente Emilio Garrastazu Médici, e posteriormente Ministro do Planejamento e Coordenação no governo do presidente Ernesto Geisel, desempenhou um papel crucial nas políticas econômicas que definiram o Brasil durante um período de rápido crescimento conhecido como o 'Milagre Econômico'.

Início da Carreira

Nascido em 15 de maio de 1928, em São Paulo, Delfim Netto começou sua carreira acadêmica como professor de economia antes de entrar para a política. Graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo (USP), onde mais tarde se tornou professor titular. Sua passagem pela academia foi marcada por um profundo interesse pela teoria econômica e pela aplicação prática das políticas de desenvolvimento.

Influência na Política Econômica

Netto assumiu o Ministério da Fazenda em 1967, durante um período de grande turbulência política e social no Brasil. Seu mandato como ministro da fazenda e mais tarde como ministro do planejamento e coordenação foi marcado por uma série de reformas econômicas que visavam modernizar a economia brasileira. Entre suas políticas mais notáveis está a criação do 'II Plano Nacional de Desenvolvimento' (II PND), que incentivou grandes investimentos em infraestrutura e na indústria de base. À sua época, essas ações transformaram significativamente o tecido econômico do país.

O 'Milagre Econômico'

O 'Milagre Econômico'

O período conhecido como 'Milagre Econômico' (1968-1973) viu taxas de crescimento vertiginosas, com o Produto Interno Bruto (PIB) expandindo-se a uma média de 10% ao ano. Este crescimento foi alimentado por uma combinação de investimentos públicos e atração de capitais privados, além de um controle rigoroso da inflação. Delfim Netto foi amplamente creditado como um dos principais arquitetos dessa fase de prosperidade econômica. Contudo, as críticas não tardaram a surgir, especialmente em relação à distribuição desigual dos benefícios desse crescimento e às violações dos direitos humanos sob o regime militar.

Controvérsia e Críticas

Apesar de seu sucesso econômico, a carreira de Delfim Netto não foi isenta de controvérsias. Seu papel durante a ditadura militar levantou questões sobre a colaboração com um regime autoritário que violou amplamente os direitos humanos. Muitas vozes dentro e fora do Brasil questionaram a ética de implementar políticas econômicas de sucesso em um contexto de censura e repressão política. Netto sempre defendeu suas ações como necessárias para o desenvolvimento do país, argumentando que a economia próspera poderia, eventualmente, abrir caminho para a democratização.

O Legado

Após deixar o governo em 1979, Delfim Netto continuou a ser uma figura influente na política e na economia brasileira. Até seus últimos anos, permaneceu ativo como consultor e comentarista econômico, contribuindo com sua vasta experiência e conhecimento para debates importantes sobre o futuro do Brasil. Lopes e críticas à parte, seu legado é inegável. Ele será lembrado como um dos principais artífices do crescimento econômico do Brasil no século XX, mas também como uma figura emblemática de um período politicamente conturbado.

Últimos Anos e Falecimento

Últimos Anos e Falecimento

Nos anos que precederam sua morte, Netto continuou a participar ativamente de discussões políticas e econômicas, sendo frequentemente buscado por sua opinião em matérias de grande relevância nacional. Sua vasta experiência e visão analítica o tornaram uma referência, ainda que sua figura permanecesse polarizante. Delfim Netto faleceu em sua casa em São Paulo, cercado por familiares.

Reflexões Finais

A morte de Delfim Netto suscita reflexões sobre a interseção entre desenvolvimento econômico e os métodos utilizados para alcançá-lo. Enquanto alguns o veem como um gênio econômico que soube aproveitar as oportunidades de seu tempo, outros o relembram pelo contexto controverso em que essas realizações ocorreram. O debate sobre seu legado provavelmente continuará, refletindo a complexidade de uma figura que marcou profundamente a história do Brasil.

Conclusão

Com a partida de Delfim Netto, o Brasil perde uma figura cuja influência transcendeu sua época. Suas contribuições para a economia brasileira são inegáveis, mas a reflexão sobre o preço dessas conquistas talvez seja o maior testemunho da complexidade de sua vida e obra. Sem dúvida, Delfim Neto deixa um legado que continuará a ser debatido e estudado por muitos anos.

Comentários
Bruna Jordão
Bruna Jordão
agosto 14, 2024 12:29

Delfim foi um dos poucos que realmente entendeu que economia não é só número, é estrutura, é poder. Ele não fez milagre, fez escolhas - e escolhas duras. O crescimento veio, mas quem pagou a conta? Os pobres, os sindicatos, os estudantes. Ainda assim, não dá pra negar: sem ele, o Brasil talvez ainda estivesse tentando descobrir como fazer uma estrada sem pedágio.

Sérgio Castro
Sérgio Castro
agosto 14, 2024 16:29

HAHAHAHA 🤣 o cara foi o arquiteto do 'milagre' que deixou o país endividado até os dentes e ainda virou guru? Tudo bem que ele era brilhante, mas isso aqui é como elogiar um chef que envenenou 80% da cozinha só porque o prato principal ficou bom. O que ele fez foi um golpe de Estado econômico, e ninguém quer falar disso. 🤷‍♂️

Camila Tisinovich
Camila Tisinovich
agosto 15, 2024 10:13

Eu odeio quando povo fala 'legado' como se fosse um troféu. Ele trabalhou pra ditadura, tá, e daí? Se ele tivesse feito isso nos EUA, já tinha sido preso. Mas aqui? Vira herói porque o PIB subiu. O que é isso, uma cultura de narcisismo econômico? 😒

satoshi niikura
satoshi niikura
agosto 16, 2024 22:52

A análise de Delfim Netto deve ser contextualizada dentro da teoria do desenvolvimento endógeno, particularmente sob a perspectiva de Prebisch e a crítica ao modelo de substituição de importações. Seu modelo de planejamento centralizado, embora eficaz no curto prazo, ignorou as externalidades sociais e a elasticidade-renda da demanda agregada, o que explica a explosão da desigualdade nos anos 1970. O paradoxo é que ele era um economista de formação keynesiana, mas agiu como um neoliberal antes da era Reagan.

Joana Sequeira
Joana Sequeira
agosto 18, 2024 06:43

É triste ver como o debate sobre ele se reduz a 'genial' ou 'tirano'. Ele foi os dois. E talvez seja isso que nos assusta: que alguém tão inteligente possa acreditar que o fim justifica os meios - e ainda convencer milhões de que isso foi necessário. Acho que o verdadeiro legado dele é nos obrigar a perguntar: qual o preço que estamos dispostos a pagar por crescimento? E quem decide isso?

Larissa Moraes
Larissa Moraes
agosto 18, 2024 22:36

ah simmmmm o grande Delfimmmmm 🙄 ele que fez o Brasil crescer? Mas cadê os 30 milhões de pobres que ele deixou pra trás? 😂 o cara era só um burocrata de terno que botou o país no piloto automático e depois virou professor de faculdade particular. Pior que o povo esquece e cai na farsa de que ele foi herói. Vai se ferrar, Delfim 😤

Gislene Valério de Barros
Gislene Valério de Barros
agosto 18, 2024 22:39

Eu lembro quando meu avô falava dele como se fosse um profeta. Ele dizia: 'Sem Delfim, a gente não tinha estrada, não tinha luz, não tinha fábrica'. Mas depois, quando a inflação voltou e o pão subiu, ele falava: 'E agora?'. Acho que o que mais me toca é essa dualidade: ele construiu o Brasil moderno, mas não construiu um Brasil justo. E talvez o maior erro dele tenha sido achar que um país pode ser moderno sem ser humano. Ainda hoje, quando vejo uma criança dormindo embaixo de uma ponte, eu penso: onde estava a ética dele?

Izabella Słupecka
Izabella Słupecka
agosto 19, 2024 12:16

É inaceitável que uma figura tão profundamente comprometida com um regime autoritário, que violou sistematicamente os direitos humanos, seja celebrada como um 'gênio econômico'. A lógica de que 'o crescimento justifica a repressão' é uma falácia moral que alimenta a barbárie. A economia não é um campo neutro - é um campo de poder. E Delfim Netto escolheu o lado do poder. Não há legado. Há apenas complicity.

Yuri Costa
Yuri Costa
agosto 20, 2024 08:56

Como alguém pode ter tanta inteligência e tanta falta de alma? Ele sabia o que estava fazendo. Sabia que o 'milagre' era uma farsa para manter o regime. E ainda assim... escolheu. E agora querem colocar ele no panteão dos heróis? 😒 Acho que a verdadeira tragédia não é a morte dele - é a nossa capacidade de esquecer. 🤔

Paulo Sousa
Paulo Sousa
agosto 21, 2024 11:36

EU SOU DO BRASIL E AMO MEU PAÍS E Delfim foi um dos únicos que fez algo de verdade! 😤🔥 Quem fala mal dele é o povo que não entende nada de economia! Ele botou o Brasil no mapa, e agora querem apagar isso por causa de uns direitos humanos? Tá doido? 🇧🇷💥

kamila silva
kamila silva
agosto 22, 2024 13:31

Ele era o Nietzsche da economia brasileira - o super-homem que desafiou a moral do fraco para construir um novo mundo. E nós? Nós somos os homens que se acomodam no ressentimento. Ele não pediu permissão. Ele criou. E se isso custou vidas? Que sejam vidas de quem não ousou. A história não perdoa os tímidos.

Eliane E
Eliane E
agosto 23, 2024 19:16

Descanse em paz, Delfim. Obrigada por ter acreditado que o Brasil podia ser mais.

Satoshi Katade
Satoshi Katade
agosto 24, 2024 09:24

Ele era o tipo de pessoa que, se vivesse hoje, seria o primeiro a dizer: 'A gente errou'. Acho que o que ele queria era um Brasil forte, e não um Brasil opressor. A gente não pode julgar só pelo que ele fez, mas também pelo que ele tentou mudar. Talvez o legado dele seja nos ensinar que o caminho do progresso é sempre sujo - e que a gente precisa ser mais corajoso pra escolher o que vale a pena.

João Manuel dos Santos Quintas
João Manuel dos Santos Quintas
agosto 24, 2024 13:35

Quem acha que ele foi só um técnico está enganado. Ele era um estrategista político de primeira linha. Sabia que sem autoritarismo, o Brasil nunca teria feito as reformas. E se ele tivesse sido democrata? A inflação teria explodido antes. A história não tem 'se'. Ela tem o que foi feito. E o que foi feito mudou o país.

Germano D. L. F.
Germano D. L. F.
agosto 26, 2024 01:38

Meu pai trabalhou na construção da BR-116 quando Delfim botou o plano em ação. Ele me contou que nunca viu tanta gente comendo bem, com casa, com salário. A gente não esquece. A economia não é só gráfico, é vida. E ele deu vida a milhões. 🙏

valderi junior
valderi junior
agosto 27, 2024 02:43

Eu vim do interior, não sabia o que era PIB. Mas lembro que quando a estrada chegou, a gente começou a vender o leite. Acho que ele não pensou em ideologia. Pensou em ligar o país. E isso, pra mim, é mais importante que qualquer debate.

Renata Dutra Ramos
Renata Dutra Ramos
agosto 28, 2024 06:18

Seu modelo, embora tecnicamente robusto, apresentava falhas estruturais na distribuição de renda, na externalização de custos sociais, e na dependência excessiva de capital externo - o que, combinado com a política monetária rígida, gerou uma bolha que estourou nos anos 80, precipitando a crise da dívida externa. Ainda assim, sua capacidade de articulação institucional foi notável, e seu legado permanece como um caso de estudo clássico na pós-graduação em economia aplicada.

Ana Paula Santos Oliveira
Ana Paula Santos Oliveira
agosto 28, 2024 21:00

Ele não morreu de velhice... ele foi eliminado. A elite quer apagar quem lembra que o crescimento foi feito com sangue. E agora? Quem vai falar da verdade? A mídia tá calada, os professores estão com medo. Delfim sabia demais. E por isso, ele foi silenciado. 🕵️‍♀️

Josiane Barbosa Macedo
Josiane Barbosa Macedo
agosto 29, 2024 04:15

É difícil falar dele sem sentir um peso. Ele fez coisas que não deveria ter feito... mas também fez coisas que ninguém mais ousou. Talvez o que mais me doa é que, hoje, ninguém tem coragem de fazer nada assim - nem o bem, nem o mal. E talvez, no fundo, isso seja o pior legado de todos.

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